"O exercício do amor verdadeiro não pode cansar o coração"

Emmanuel


22 dezembro 2010

Adoção


A forma de como as coisas são programadas para acontecer em nossas vidas as vezes impressiona, mesmo com uma bagagem de estudo relacionado a doutrina e seus fundamentos. Apesar de gozar do livre arbítrio, há coisas na vida que simplesmente devem acontecer, pois foram devidamente programadas no outro plano, quando lá estávamos, para que pudessemos, já aqui na Terra, dar continuidade em nosso aprendizado e a conclusão desse programa já é uma vitória imensa, é um sinal de que continuamos nos mantendo firme e fortes em nosso propórito nessa encarnação.

Pra resumir bem, estou a dez anos junto com "minha companheira de batalha", uma pessoa que veio de longe pra me conhecer e ficar comigo, pra ser minha outra metade nos caminhos da vida. Depois de um bom tempo juntos, começamos a pensar em filhos, a constituir uma familia e tudo mais, ou seja, uma coisa natural na vida de um casal. Acontece que ela não engravidava de forma alguma, fazia exames e mais exames e nada, o tão querido filho nunca vinha. Um belo dia, em uma consulta ao ginecologista, eu estava junto, o médico me perguntou se eu já tinha feito meus exames, pois com ela estava tudo ok e não tinha mais o que investigar. Eu respondi que não havia feito exames (a gente nunca acha que o problema é com a gente), e o doutor me intimou a fazer meus exames, começando pelo espermograma.

Lembro bem que no dia que fui buscar meu resultado, já em casa, abri o bendito exame e o resultado dizia AZOOSPERMIA, o que em básica pesquisas (no Google mesmo, logo de cara) foi possivel saber que em meu sêmen não havia um espermatozóide pra contar história, ou seja, era o sinônimo de estéril, o que foi posteriormente confirmado pelo médico.
Vale lembrar que a azoospermia é um diagnóstico que não te coloca na condição de estéril logo de cara, seria necessário outros exames pra saber o motivo de não ter espermatozóides em meu sêmen e que caberia até procedimento cirúrgico pra tentar reverter a situação, pois cada caso é um caso, por isso, cuidado com o termo azoospermia, consulte o médico antes de sair pensando asneira.

Naquele dia fiquei chateado, pois a idéia de quer você não pode gerar um filho próprio não deixa de ser frustrante e, pior ainda, a idéia de que você não pode ter um filho é mais assustadora ainda, pois é natural do ser humano deixar seus conhecimentos pra alguém e saber que um dia vai partir e sua história terminará ali é complicado.

Eu e minha esposa já haviamos conversado algumas vezes sobre adoção e essa idéia sempre esteve em pauta, mas sempre depois de ter o nosso biológico, como que se a prioridade fosse ter um filho de sangue e depois sim adotar um, cometendo assim o primeiro erro de quem começa a pensar em adoção, o erro de pensar que o filho de sangue é mais importante do que o filho do coração. É um erro que tive que engolir a seco quando meu filho, adotivo, chegou. Digo erro para ressaltar o termo em si, mas na realidade é um sentimento até involuntário imposto ao decorrer da vivência em uma sociedade que ainda tem preconceito em ralação a adoçao.

Minha esposa já havia decidido pela adoção mesmo antes de meu exame, por ela tinha dado entrada na papelada bem antes, mas eu sempre ali aguardando algo que hoje sei que não iria acontecer, aguardando ela resolver o "problema" nela e finalmente ela engravidar. No fim, chegamos em comum acordo (também, depois do tapa na cara que o exame me deu, não podia ser diferente) e fomos ao forum dar entrada na adoção.

Foram um ano e meio de espera e ligações (sempre por parte de minha esposa) semanais para o forum para saber como andava a fila, e finalmente no dia 14 de Setembro de 2009 o telefone tocou, eu atendi, e era a assistente social perguntando se a gente gostaria de conhecer um menino de um ano e um mês que estava no abrigo aguardando adoção. E foi nesse mesmo dia que fomos lá, em meio a nervosismo e felicidade, e vimos pela primeira vez o nosso filho.

No dia seguinte sairiamos do forum com um menino nos braços e uma sacolinha de roupas dele na mão, eramos pais, finalmente.

Contar a história completa aqui seria longo demais, o que não é compatível com o propósito do blog, mas posso dizer tranquilamente hoje que tenho uma familia completa e feliz, tenho um filho alegre e muito carismático, que nos proporciona doses de felicidades brutais e que me faz sentir, sem um pingo de diferença de ser biológico ou não, um pai, assim como minha esposa, uma mãe.

Voltando lá em cima no começo do post, impressiona como as coisas são programadas em nossas vidas, pois hoje somos uma familia constituida de mim, de minha esposa que veio de uma cidade distante da minha, me conheceu e por fim viramos pai de uma criança que a principio não possuia vinculo nenhum conosco. Mas o mais importante é que isso tudo é em referencia ao material, pois espiritualmente tenho certeza de que nossas vidas deveriam se cruzar por aqui nessa encarnação e assim o foi.

Um fato curioso é que um casal foi visitar nosso filho no abrigo um dia antes de nós, estavam na frente na fila do forum, mas por algum motivo que só a espiritualidade saberia responder, resolveram não ficar com ele, dando oportunidade pra nós. A assistente no dia disse que era pra ser a gente mesmo, que estava escrito, eu respondi pra ela que sim, que estava escrito e programado.

O próximo passo é um irmãozinho ou uma irmãzinha para o Matheus Eduardo, vamos deixar a espiritualidade trabalhar novamente, eles sempre sabem o que fazem.

Pra quem pensa em adoção, posso dizer tranquilamente que o processo não é difícil e a demora depende de cada forum ou estado dos pretendentes, procure saber no forum de sua cidade os procedimentos, converse com a assistência social para maiores esclarecimentos e sempre faça tudo dentro da lei, pois compensa, e muito, adotar uma criança, pois você estará dando a oportunidade de uma vida digna e cheia de amor para uma alma geralmente vinda do sofrimento, mas que no fim o encontrará.

Importante também é sempre ser honesto com seu filho em relação a adoção, nunca esconder que ele é adotado, começe a conversar com ele sobre o assunto assim que perceber que ele já está em condições de entender a condição dele, pois esconder é pior, no futuro inevitavelmente ele vai acabar sabendo e isso poderá gerar um sentimento de traição, pois nada é mais importante na relação pais e filhos como a confiança mútua e, claro, o amor.

O resto a vida se encarrega de nos ensinar.

15 comentários:

  1. Caro Alex, quero que saiba que adorei sobre seu post.

    Eu sou espirita, desde pequena, qdo o assunto era familia, filhos, eu sempre falava que gostaria de adotar. E como é de praxe, a turma me dizia, porque adotar se vc poder ter os seus filhos... o ser humano é possessivo né.. rsrsrs...
    Ainda nao constitui familia, mas muito em breve, vou... E sim meus filhos serao do mais puro amor, não serei mae biologica por opção. E sim dentro de mim, sei q isso decidi antes de reencarnar... Pode aparecer estranho p/ qm nao comprende isso, mas já amo meus filhos, se ainda conhece-los(nesta encarnação)..
    Abraços a vc e sua familia.. muita paz e amor.

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    1. É realmente engraçado...
      Eu sempre pensei que não poderia gerar filhos, não sabia o porquê, mas já estava disposta a adotar. Isso ainda adolescente,
      Quando pensei em ter filhos, agi com pressa, pois até que realizasse todos os exames, fizesse a parte burocrática para adotar, muito chão a percorrer, pensei. Estava grávida no mês seguinte!
      Por contratempos, não tive o segundo. Mas sempre desejei ter outro filho. Nunca filho único. Mas nada favorecia. Até que, incentivado pelo meu filho, meu marido, que antes não pensava em mais um filho e era resistente à adoção, concordou que adotássemos. Corri com os papéis! Estou no processo para me habilitar.
      Agora, tentando entender, vejo que a adoção é um propósito que veio comigo, por isso, sem entendimento, achei que fosse estéril. Pois este seria o único motivo, provavelmente que me levaria a pensar em adoção enquanto adolescente.
      Muito bacana isso!
      Abraços

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  2. Olá, Alex, meu nome é Givanise sou de joão Pessoa. minha historia parece bastante com a sua, meu esposo tem espermatozoides com baixa motilidade! meu bb q é de coração e hoje tem um ano e meio e está comigo desde um mês de vida, simplesmente aconteceu na minha vida, nunca pensei em adoção, mesmo sem engravidar durante 11 anos de casamento, simplesmente deixava a vida passar, até q ele apareceu e não hesitei, o abracei, como nunca havia tomado ninguem em meus braços. è maravilhoso, a frustração acabou...
    Parabéns

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  3. Oi alex adorei seu blog ! Sou espirita kardecista e soui filha adotiva Tenho 31 anos e estou gravida do meu terceiro filho e pretendo adotar uma menina daqui uns 3 anos meus pais Sao corujas com os netos ainda mais que moramos todos juntos . Pra minha Mae e uma felicidade porque ela acompanha as minhas gravidez e tudo e muito emocionante pra ela que nunca passou por uma gestação e hj ela esta vendo tudo ... Meus filhos Sao do mundo Sao de Deus entao ela e como uma Mae pra eles Amo meus pais e meu Irmao que tb e adotivo Deus me deu uma família maravilhosa ... Parabéns pelo filho de vcs e que Deus lhe abençoe sempre !!!

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  4. é impressionante como a sua história se parece com a minha. Meu marido tem o mesmo problema, e nós chegamos a tentar fertilização in vitro duas vezes (mas não deu certo). Eu pensava em adoção desde criança, mas meu marido era contra. Depois de muito sofrimento, eu o convenci a adotar. Nossa história ainda não teve um final feliz, pois estamos há mais de um ano esperando pela adoção e já me disseram que vamos esperar muito na fila pq não queremos adotar irmãos. Eu só espero que Deus tenha compaixão de nós e nos conceda essa graça que tanto desejamos, a adoção da nossa filha.

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  5. Oi,sou a Patricia tenho hoje 3 filhos que amo muito,mas sempre quis uma menina ,e a adoção sempre foi minha ideia meu marido diz que aceita mas acho que no fundo ele e contra peço a Deus que me ajude a realizar este sonho,este desejo que grita de minha alma mesmo depois das gravidez não me satisfaço penso sempre em minha menina.que a espiritualidade me ampare e ajude a completar minha família maravilhosa.

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    1. Olá, Patricia.
      O que programamos na espiritualidade depende muito de nós mesmos quando já encarnados pra dar certo, siga seu coração e vá em frente, o que tiver quer ser sempre será. Um abraço e muita paz.

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    2. Olá, Me chamo Larissa. Sou adotada só por minha mãe, nunca tive uma visão de pai. Bom, sou uma pessoa extremamente feliz e realizada. E bom, a minha história não foi igual a sua. Eu fui dada de presente para a minha mãe por uma assistente social, quando estava quase sendo levada para o orfanato. Fui entregue a minha mãe como um presente.
      A minha família me aceitou como se eu fosse sangue do sangue deles. Bom, não gosto de falar de laços de sangue porque os laços sanguíneos, não é nada em comparação com os laços espirituais que eu e a minha família tivemos certeza da qual tivemos em várias encarnações.
      Ah, e não conheço a minha mãe biológica, mas tenho uma imensa gratidão a ela por ter me deixado seguir com o meu processo de evolução, sem ter me abortado, apesar de todas as dificuldades pela qual ela passou para me gerar ouço minha mãe adotiva dizer que ela tinha amor por mim apesar de tudo.
      Ah, tenho que dizer que amo a minha mãe adotiva incondicionalmente! E acredito que amor de mãe seja de sangue ou do coração é tudo na vida de uma pessoa. Então minha mãe é tudo para mim!

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  6. Olá! tenho uma filha de coração, tudo aconteceu muito rapido, antes dela nascer, eu já me preocupava com ela, pois a sua genitora era usuaria de crack, e quando ela nasceu uma tia dela, havia comentado comigo pra eu ficar com ela e eu não quiz, passaram se 3 meses e estava ela em meus braços, na epoca estava solteira e senti no meu coração que tinha essa missão, a minha filha havia sido programada por Deus...ela é minha fotocopia, estou me preparando pra contar todo processo da nossa união, peço forças a Deus, pois quero que seja tudo com muita luz. um abraço

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  7. Boa tarde.
    Tenho 3 filhos biológicos, já adultos, formados e com vida já estruturada.Aos 57 anos de vida, pensei que minha missão estava cumprida, quando Deus disse;"ainda não! e assim ele chegou, aos 4 meses... não tive medo. Hoje já tem quase 4 anos e fico pensando como seria nossa vida se m ele...

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    1. Parabéns pelo presente!!!

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  8. Olá, sou casada há 14 anos, temos um filho biológico de 07 anos e estamos na lista de adoção há 6 meses. Decidimos adotar por opção, de coração mesmo, pois, posso engravidar novamente sem problemas... Esse desejo de adotar é muito vivo em mim desde os 15 anos. Quando chegou a hora de darmos esse passo de nos inscrevermos tive da espiritualidade a orientação de que seria uma menina... No meu coração, eu pensava que ela chegaria a partir de abril desse ano... Como estamos em abril, estou um tanto ansiosa. A assistente social sempre diz que precisamos estar prontos para uma espera maior, mas sempre sinto que será ainda esse ano... Gostei muito da sua história. Um abraço fraterno. Carol Marangoni

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  9. Olá, estou procurando relatos sobre adoção pois estou vivendo uma historia muito conflitante e espero MUITO que alguém tenha alguma palavra de luz para compartilhar comigo. Desde pequena desejo adotar, é algo que cresceu dentro de mim.. Não sou negra mas sonho com um menino negro desde que sou bem pequena mesmo.. Ainda sou nova ( tenho 23 anos ) mas há mais ou menos 1 ano meu desejo de ter essa criança aumentou demais, parece que chegou o momento emocionalmente mas ainda não estou preparada em questão de estrutura financeira ( ainda estou me formando ) ... Enfim, estou em um relacionamento há 4 anos.. E sempre conversei com ele sobre meu desejo de adotar.. Eis que no ano passado meu desejo estava quase incontrolável, eu já me sentia preparada mas as coisas ainda não estavam em seus lugares, eu ainda não tinha emprego e curso uma faculdade integral.....Para amenizar minha vontade, comprei um livro de uma historia de adoção, comecei a ler e assistir videos de adoção no Brasil e fora do pais.. Até que certo final de semana, na casa dos pais do meu namorado ( onde ele ainda mora ) estavamos sozinhos e eu decidi mostrar a ele um depoimento de um casal do sul que havia adotado varias irmãs ( Adoção tardia ) ...Nesse meio tempo, minha sogra entrou na sala, e ouviu minha conversa.. Eu senti que ela estava inquieta e ouvi ela conversar com meu sogro algo do tipo " ela esta falando de adoção com ele " ... Eu jamais poderia imaginar o que estava para acontecer, pensei que ela poderia estar achando ruim de eu falar de filhos, ou que ela poderia achar cedo demais...
    Jantamos, em seguida meu namorado foi tomar banho.. Eu e minha sogra sentamos na sala e veio a pergunta: Você quer adotar?..Como eu já tinha escutado a conversa dela com meu sogro, achei melhor não ser totalmente honesta na resposta e disse: "Ah eu acho algo bonito, mas não da pra saber ainda..Mas tenho vontade. Você também já teve vontade de adotar né?" ( em algumas conversas ela havia dito que quase havia adotado uma menina, meu namorado é filho unico )
    Foi então que percebi a expressão no rosto dela, foi o pior momento da minha vida, na verdade tive até medo dela...Ela disse: "olha pra mim, olha pra mim" ..eu olhei e ela continuou ..." Meu filho é adotivo" e entre uma palavra e outra ela verbalizou " nunca conte isso pra ele ".
    Pra ser bem sincera meu coração acelera até hoje quando penso nesse momento...Algo que eu sempre achei tão lindo, adotar... transformado num ato sigiloso e aterrorizante..Sabe, parecia que ela estava me contando que matou alguem.. Me senti e me sinto pessima quando lembro da cena.
    E basicamente este é meu drama desde então.. Ver essa mentira todos os dias.
    Antes de saber sobre isso, eu sempre achei a relação da minha sogra com meu namorado de uma possessividade extrema, como se ele fosse dela, ou como se devesse a vida dele a ela.... Eu não sei até onde eu devo me envolver, apesar de ja me sentir envolvida até o pescoço...
    Gostaria MUITO de uma luz, uma palavra sabia, algo que acalmasse de vez meu coração. Choro muito ao pensar nas mentiras, nessa relação tão estranha e possessiva que eles vivem..Certa vez ele me disse que não teria coragem de sair da casa dos pais e deixa-los para morar sozinho..Não entendo isso..
    Pra terminar, por esse motivo procurei um blog espirita apesar de eu não ter nenhuma religião, pois precisava de um concelho sábio. Obrigada desde já, desculpem pelo enorme texto de desabafo!

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  10. Olá, o procedimento mais correto tanto para quem adota e para o adotado é sempre falar a verdade, se o adotado for criança pequena o ideal é ela crescer com os pais já explicando pra ela gradualmente sua condição. Assim, com certeza, não haverá traumas para ambos os lados no caso do adotado vir a saber um dia por terceiros (e um dia acaba sabendo) sua real condição. No caso específico relatado aqui, eu particularmente acho que é uma coisa muito intima da família e deve ser resolvido entre eles, nada impede que você converse com sua sogra sobre o assunto caso ela deseje falar sobre, mas contar a ele realmente acho que deve ser uma decisão dos pais.

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  11. Caríssima: Você foi, digamos assim, vítima de um segredo. Mas a decisão de contar ou não deve ser dos pais. Ore por eles e converse se tiver oportunidade. Por ora apazigue seu coração, pois, o segredo não foi escolha sua. Beijo e boa sorte

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