"O exercício do amor verdadeiro não pode cansar o coração"
Emmanuel


12 agosto 2009

Aos vendilhões dos templos modernos

Reportagem mediúnica de Humberto de Campos com Judas Iscariotes

Jesus expulsando os vendilhões do templo


Com a aceitação de denúncias contra alguns "vendilhões do templo", que massacram massas com seus pedidos estapafúrdios de dízimos e usam do poder temporal em benefício dos seus "negócios de fé", dominando grandes mídias, conforme publicamos há pouco no blog, acho interessante relembrarmos a conclusão de Judas em antológico texto psicografado por Chico Xavier:


"Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado,
onde o Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante. - Sabe quem é este? - murmurou alguém aos meus ouvidos. - Este é Judas. - Judas?!... - Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram, volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho... Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, porém, e a santa humildade do seu coração ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo. - O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariotes? - perguntei. - Sim, sou Judas - respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica. Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios... - E uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus? - Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e as tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilotos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder, já que, no seu manto e pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que, aliás, apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos. - E chegou a salvar-se pelo arrependimento? - Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial(JOANA D'ARC), onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição, deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência... - E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza. - Sim... estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na cruz entregando a Deus o seu destino... Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores. Quanto ao Divino Mestre - continuou Judas com os seus prantos - infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado... - E verdade - concluí - e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-LO. Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto."

Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos, contida no livro Memórias de Além Túmulo

11 agosto 2009

Espiritismo Gobalizado

Simpatia e sensacionalismo mesclam-se nas relações da grande mídia com o Espiritismo

Temos no Brasil, segundo ultimo censo do IBGE de 2000, 1,3% de nossa população se declarando espírita. Embora ainda represente uma fatia pequena do total da população, e quase não tenha crescido percentualmente nos últimos 10 anos, a Doutrina Espírita no Brasil mantém-se como foco de grande interesse da mídia e da população em geral. Basta ver a variedade de programas de temática espiritualista na televisão, como o programa do Gaspareto que até recentemente ia ao ar pela Rede TV em que o Espírito Kalunga respondia às questões dos telespectadores (por incorporação do médium) ou, de maior impacto, e as telenovelas – a novela “Alma Gêmea”, por exemplo, retornará à grade de programação da Rede Globo em “Vale a pena ver de novo” e tem como mote a reencarnação. Não é a primeira novela a tratar do assunto. Em 1976, a novela “O Profeta” da TV Tupi contou inclusive com a participação especial de Chico Xavier. “A Viagem” foi outro grande sucesso de audiência, mostrando a obsessão e os complexos de culpa no Além.
Mas qual a repercussão dentro e fora da Doutrina? Como os não-espíritas vêem esses temas trabalhados na televisão? E como os próprios espíritas se comportam diante deles?
Embora percentualmente pequenos, os espíritas brasileiros vivem dentro de uma realidade religiosa fragmentada. Assim como existem católicos “praticantes” e “não-praticantes”, no Espiritismo existem “espíritas” e “simpatizantes”. Os primeiros freqüentam regularmente Centros Espíritas, estudam a Doutrina (entenda-se bem, Evangelho de Jesus, Allan Kardec e Chico Xavier) e se esforçam por absorver os postulados espíritas e a moral de Jesus; os segundos também freqüentam Centros Espíritas, lêem livros espíritas, mas não se aprofundam o suficiente no estudo sistemático, às vezes temem reprovações de conhecidos e preferem se dizer “simpatizantes”, denominando-se como praticantes de religiões diversas da espírita. Estima-se que estejam 25 milhões de brasileiros nessa situação. Isso sem falar em pontos doutrinários. Cerca de 60 % dos católicos acreditam em reencarnação! E esse é um ponto teologicamente combatido pela Igreja.
Essa simpatia que existe foi conquistada – e a quantos custos! – em sua imensa parte por Chico Xavier. Sua vida foi marcada pela caridade, pelo despojamento de tudo que é material; tudo que fez foi mandar notícias do Além, consolando e enxugando lágrimas; estudando e ensinando na prática o verdadeiro Evangelho de Jesus. O trabalho sério o fez conhecido e respeitado, principalmente nos meios populares. Alguns cinicamente associam o trabalho filantrópico espírita a capilarização da Doutrina em meios pobres, tradicionalmente católicos (com uma tendência de crescimento evangélico). Isso é absurdo pois que os espíritas contam-se, segundo o mesmo levantamento do IBGE, entre as pessoas de maior escolaridade e renda. A simpatia pela temática espírita, com foco na reencarnação e na caridade, é legítima pela naturalidade de suas idéias em todos os meios e pelo trabalho sério e constante feito por muitos seareiros.
Obviamente que nem tudo deve ser comemorado. Em geral, existe muito respeito ao se tratar de temas espíritas na mídia em geral. Mas com a tomada da direção de inúmeros órgãos de imprensa por setores neopentecostais de interesses inconfessáveis, muitos preconceitos que pensávamos estarem mortos ressuscitaram pelas mãos de inúmeros pastores. Em um programa do “Show da Fé”, de R.R. Soares, quando perguntado sobre audição mediúnica, referiu-se claramente a tal situação por “obra do demônio”. Edir Macedo, em livro retirado do mercado por determinação da justiça, afirmava coisas semelhantes, chamando seus fiéis a nova cruzada contra religiões em que o demônio se manifestava, que acabou provocando diversos ataques a terreiros na Bahia e pichações em muros de instituições espíritas.
Isso para ficar apenas num irrisório número de situações de impacto. Alguns programas de “baixo calão” notabilizam-se muitas vezes por tratarem de tais temas de forma sensacionalista, trazendo, por exemplo, “sensitivos”, “videntes” para casas ou lugares para fazerem registros mediúnicos de determinada situação. Não preciso nem dizer quais os abusos possíveis de serem cometidos. Enquanto por um lado tentam associar o Espiritismo ao demônio, por outro, o colocam no mesmo rol de práticas de adivnhação, apresentando em ambos os casos a Doutrina por tudo aquilo que ela não é.
E qual o melhor meio de vencermos tais meios depreciativos? Nossa postura, nossas boas maneiras, nosso conhecimento e prática evangélicas, eis a melhor propaganda doutrinária que fazemos. Se temos amigos evangélicos, porque não estudar o Evangelho com eles? São profundos conhecedores dos Testamentos e poderíamos progredir muito com estudos conjuntos feitos de forma respeitosa. Podemos, enfim, sem medo de nos declararmos espíritas, trabalharmos muito bem com todos, sem esconder o bem que nossa religião nos faz e apontarmos o cerne comum de todas as religiões cristãs, o exemplo de Jesus.
Respeitemos a todas as religiões, com a retribuição amorosa àqueles que nos dispensam amor ou com a paga cristã de devolver o Mal com o Bem.

30 julho 2009

Iconografia Espírita - Allan Kardec


Meu amigo e parceiro Júlio deu a idéia de usar um espaço no blog para ir postando iconografias de personalidades que foram e são importantes no movimento Espírita. Portanto, a título experimental, estou postando aqui a primeira delas, que fala justamemnte do codificador da Doutrina, Allan Kardec. A idéia é ir, com o tempo, colocando mais e falando de outras personalidades do meio. É só clicar na imagem acima para redirecionar para um tamanho um pouco maior e com mais qualidade.

O Espiritismo é Cristão?

A resposta para essa pergunta é simples e clara. SIM, e ponto final.
Alguns insistem em dizer e fazer valer a afirmação de que o Espiritismo não é Cristão, de que a doutrina fere o cristianismo em vários pontos, dentre os quais citarei os dois mais críticos, ao meu ver, que seguem abaixo:

A divindade de Jesus - Para os "verdadeiros Cristãos", Jesus seria o próprio Deus e não o filho Dele, não poderia ser criatura, já que o próprio é o Criador.

A redenção de Jesus - Deus, em toda sua bondade e misericórdia, enviou seu filho único, Jesus (Veja bem que, aqui se tem uma contradição, com o ponto de Jesus ser o próprio Deus) para salvar a humanidade dos seus pecados. Somente aceitando Jesus um "verdadeiro Cristão" se salva de seus pecados.


Sobre a divindade de Jesus, o Espiritismo nos esclarece que o Mestre é o ser de mais alta escala evolutiva que já se passou pela Terra, com a missão de nos ensinar do modo mais claro e belo possível o que é o Amor, o sentimento que rege o universo, a base fundamental para a evolução de todas as criaturas. Oras, Jesus é o filho de Deus, é nosso irmão maior, pois todos somos filhos de Deus. Em toda sua sabedoria e justiça, Deus nos cria TODOS simples e ignorantes, e temos a chance de subir a escada da evolução e um dia chegar lá. Foi assim com Jesus, vai ser assim comigo e com você também. Simples assim.

Como disse acima, o ser humano busca a sua evolução, é a nossa meta principal. Sendo criados simples e ignorantes por Deus, cabe a nós ir atrás de nosso aperfeiçoamento como ser humano, é nosso mérito superar todos os problemas, seria fácil demais aprontar até dizer chega durante boa parte da vida e depois simplesmente entrar em uma igreja, aceitar Jesus e sair com a "ficha limpa" com o pessoal lá de cima. Como um bebê que nasce sem fala e sem saber andar, somente com o convívio com outras pessoas, sua família, ele vai aprender a falar, vai perder o medo de um dia ficar em pé e dar os seus primeiros passos.

Jesus nos ensina a andar, segura em nossas mãos até que possamos caminhar sozinhos, está sempre por perto zelando por nós, é o nosso tutor aqui na Terra, é o nosso Mestre maior, mas temos que fazer nossa parte também, não adianta ficar parado só esperando o auxilio ou, pior, esperando a salvação cair, literalmente, do céu.

"Pois onde houver dois ou três, reunidos em meu nome, ali estarei"

Mateus 18:20

O Mestre não faz distinção de crenças, nos ensinou que amar é o único e verdadeiro caminho, e isso é o que importa. Ser Cristão é viver iluminado pela luz de Jesus, é seguir seus ensinamentos morais e amar ao próximo como a si mesmo.

Esse tema, infelizmente, é sempre seguido de muita polêmica e há muitos outros pontos a serem esclarecidos, renderia várias páginas deste humilde blog e, talvez, muita dor de cabeça... rsrsrs. Mas sigamos o exemplo do Mestre, que nos ensinou que o Amor move montanhas, e estaremos TODOS bem.

Cidadão do mundo

O local mais preciso é o sul da Escócia, o dia está nublado, o sol não deu as caras e eu estou ali, parado no meio de alguma estrada deserta em meio a montanhas olhando pra lugar nenhum e sentindo um "nada" que ao mesmo tempo me parece ser tudo o que sempre desejei. Sozinho, sem pressa nenhuma de chegar a qualquer lugar, longe da correria do mundo tecnológico de hoje, fico ali contemplanto a paisagem rústica daquele lugar por um tempo. Mochila nas costas, somente o necessário para não passar frio nem fome, recoloco os fones do mp3 player nos ouvidos (umas das poucas coisas modernas que não deixei pra trás) e sigo caminhando, na esperança de encontrar algum castelo medieval pelo caminho, que me proporcione a chance de explora-lo e encontrar algumas respostas para perguntas que as vezes me angustiam.


O trecho acima não é real, pois nunca pisei na Escócia (pelo menos nessa vida), mas retrata muito bem pensamentos que as vezes tenho, sentido saudade de um lugar que nunca visitei e sonhando andar por caminhos que não conheço, mas sei que estão lá. Quem sabe um dia.

Esse sentimento que toma conta de nós, por vezes é resultado de uma lembrança longínqua de uma vida passada e que provavelmente nos marcou bastante, pois apesar do véu do esquecimento que recebemos, algumas coisas nunca são esquecidas completamente, nossas experiências, nossa evolução conquistada por vidas e vidas a fio, sempre nos acompanham, pois nunca, jamais regredimos.

O esquecimento é necessário para que possamos trabalhar melhor nossos pontos críticos e aprender, lembranças de encarnações passadas iriam mais atrapalhar do que ajudar em nossa nova empreitada. Um espírito não trabalharia sua mágoa por outro, na encarnação atual, lembrando tudo o que se passou na vida passada, ele precisa aprender a amar novamente o seu desafeto e superar o problema gerado em outros tempos, se é necessário aprender viver na pobreza e dar valor nas coisas mais simples da vida, a lembrança de uma vida abastada não ajudaria em nada.


É importante citar que o esquecimento é temporário, pois quando voltamos ao plano espiritual (nossa pátria verdadeira) as lembranças passadas começam a vir a tona novamente de forma gradual, e aquele espírito que um dia teve mágoa de outro, um dia poderá abraçar seu antigo desafeto, o qual lhe rendeu uma bela amizade na encarnação que acabou de terninar e rirem juntos com a lembrança de que "a pouco tempo" não podiam se olhar. Do mesmo jeito, o "pobre" que deixa mais uma vez a terra rumo a pátria espiritual passa a saber que realmente há coisas infinitamente mais importântes que o bem material.

Por isso tudo, não é nenhum pouco exagerado dizer que somos sim, cidadãos do mundo, pois percorremos o globo através do tempo em busca de um único objetivo, a evolução de nosso ser, encontramos e reencontramos lugares e pessoas que fazem parte de nossa existência e que um dia, mesmo que por uma fração segundo, sentiremos saudades e ao mesmo tempo saberemos que vamos nos reencontrar por ai, não importa onde.

29 julho 2009

O Espiritismo faz invocação dos mortos?

Não. O trabalho feito em centros espíritas de intercâmbio espiritual é dirigido sempre pelos mentores espirituais quanto às manifestações a serem autorizadas, portanto não se faz invocação de espírito algum, antes, o plano espiritual é que nos invoca a darmos nossa contribuição às vezes necessária.
Kardec nos diz, entretanto, que há um Espírito que sempre podemos invocar: o de nosso Espírito Protetor individual, posto sempre a nos ajudar.
Sempre se faz objeções de cunho bíblico ao trabalho mediúnico. Citam-se, entre outros trechos, mas fundamentalmente, a proibição de se evocar os mortos feita por Moisés conforme se segue:

“Se um homem ou uma mulher tem um Espírito de Piton ou de adivinhação, que sejam punidos de morte; serão lapidados, e seu sangue cairá sobre suas cabeças” (Levítico, cap. XX, v. 27)

Essa parte - dentre outras dentro do próprio livro de Levítico e Deuteronômio - diz respeito à proibição de se consultarem os mortos para “adivinhação”, para se ler a sorte, prática conhecida como necromancia. Essa prática pouco séria é totalmente inconpatível com os postulados espíritas que prezam sempre pela autonomia e responsabilização da criatura pelos seus atos. Devemos acrescer a isso ainda o caráter secular do texto mosaico, que deveria legislar sobre seu povo; devemos ter o bom senso de avaliar o texto integral – que entre outras coisas prega a pena de morte – para balizar que se uma parte do texto está certa, porque as demais não estariam, tendo em vista o caráter sagrado e a inerrância da Bíblia? Poderíamos nós aceitarmos, baseados no dogma da inerrância da Bíblia, a pena da morte, os suplícios de todo tipo apregoados segundo a severa lei mosaica? O bom senso nos diz que não, de modo que muito do que se disse à época não poderíamos aplicar ao nosso meio atual. Seria assim quanto ao contato com os mortos?
Em primeiro lugar, o homem está mais preparado para esse contato, gozando de maior entendimento das leis físicas e morais que regem o Universo. Mas, em matéria bíblica, dentro do esforço que fazemos no sentido de obtermos maior fidedignidade possível ao pensamento, às vezes contraditório em função das palavras, citamos outro texto mosaico, presente em Números, capítulo 11 versículos 24 a 30:


"Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh.
Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao redor da Tenda. Iahweh desceu na Nuvem.
Falou-lhe e tomou do Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos.
Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém, nunca mais o fizeram.
Dois homens haviam permanecido no acampamento:
um deles se chamava Eldad e o outro Medad.
O Espírito repousou sobre eles; ainda que não tivessem vindo à Tenda, estavam entre os inscritos.
Puseram-se a profetizar no acampamento.
Um jovem correu e foi anunciar a Moisés:
“Eis que Eldad e Medad”, disse ele, “estão profetizando no acampamento”. Josué, filho de Nun, que desde a sua infância servia a Moisés, tomou a palavra e disse: “Moisés, meu senhor, proíbe-os!”
Respondeu-lhe Moisés:
“Estás ciumento por minha causa?
Oxalá todo o povo de Iahweh fosse profeta, dando-lhe Iahweh o seu Espírito!”
A seguir Moisés voltou ao acampamento e com ele os anciãos de Israel."

Nesse trecho Moisés deixa claro o dom de “profetizar”, dizendo sobre o Espírito que desceu sobre Eldad e Medad e passou instruções aos ouvintes. Moisés nos alerta ainda que não devemos nos melindrar quando tais fenômenos ocorrerem, oxalá esses fenômenos fossem dados a todos.
Existe incongruência entre os textos mosaicos? Vemos que não, que Moisés proíbe a necromancia, a arte de ler a sorte, de buscar respostas fáceis com o Espíritos, e não o intercâmbio instrutivo em que servidores do Senhor são postos a receber as instruções do Espírito que desce sobre eles.