"O exercício do amor verdadeiro não pode cansar o coração"
Emmanuel


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30 julho 2016

Imortalidade consciente



Pensemos em nossa vida de seres criados por Deus como se fosse o desenrolar dos dias. Existe uma sucessão de fatos em ordem cronológica que produz desdobramentos lógicos futuros, no entanto, essas ações estão relacionadas a escolhas presentes, porém, embasadas em vivências passadas, pois a experiência só se consolida após o acontecimento. 

Contudo, no decorrer da sucessão de fatos, novas escolhas são feitas e podem alterar as predições futuras, já que essas não se concretizaram ainda. Essas escolhas também geram experiências que se somam as anteriores, formando novas conexões, reformulando o nosso passado no sentido de expressá-lo, porém sem alterá-lo em sua forma fatídica.

Dessa forma, chegamos a um complexo mecanismo espaço-temporal, em que o ser tem a sua frente um presente que permeia o passado e futuro, sendo que as delimitações cronológicas ficam retidas às ações fatídicas, no entanto, a ressignificação desses contextos é reformulada a cada nova vivência do ser.

Com isso, as fronteiras entre passado, presente e futuro se diluem se pensadas numa dimensão não linear, pois as interações entre esses tempos acontecem de forma incessante, e na atualidade. Assim, podemos dizer que a continuidade ou descontinuidade do espaço e tempo vai depender de como estamos olhando para nossa vida, se isso é de forma fragmentada ou integral.

Essa noção de rompimento de fronteiras traz implicações de grande ordem na existência, pois se estou olhando de forma fragmentada há a tendência de observar os fatos de modo mais determinista e localizado, no entanto se vejo de maneira integral a visão se amplia e se capacita a um entendimento de contexto universal.

Assim, na primeira visão temos um esquema divisional da vida, uma imortalidade inconsciente, já que ela fica subentendida pelas etapas e restrita pelo fenômeno da morte. Já na segunda, o conceito de imortalidade é vivido na forma mais pungente, pois a expressão do ser não se limita nas etapas fatídicas, mas se erradia e interpenetra entre esses contexto, produzindo a consciência da continuidade da vida, não importando a localidade espaço temporal em que o ser de encontra, pois se o fluxo de vida do ser é contínuo o deslocamento cronológico ou espacial é que se inserem neste contexto e não a consciência que se enquadra nessas delimitações. 

Há então o conceito da naturalidade da reencarnação.

15 janeiro 2014

Criações de Deus



Sempre que pensamos em buscar respostas para questionamentos existenciais geralmente partimos de algumas perguntas como: de onde eu vim? para onde vou? porque estou aqui?

Quem acredita na existência de algo além da matéria, como na alma, vê em Deus essas respostas, porém se deixarmos de pensar logicamente nas razões de nossas existência isso passa a ser algo fantástico e não natural.

No entanto, o Espiritismo veio para explicar muita coisa que antes não podíamos entender, inclusive traz em suas primeiras questões as respostas sobre Deus. Segundo a Doutrina Espírita, Deus é a inteligência suprema, a causa primária de tudo, ou seja, ele é a única coisa que existiu, existe e continuará a existir, portanto Ele é eterno.

Porém a Doutrina também nos ensina que somos obras de Deus e estamos em processo de evolução, como elucida parte da resposta da Questão 115 de O Livro dos Espíritos:

“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de Si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade.”

Dessa forma, vemos que embora haja uma grande ligação com o Criador também há uma grande diferença entre Deus e nós quando falamos em essência. Enquanto Ele é eterno, nós somos imortais, ou seja, tivemos um começo e teremos um fim (perfeição). Vale ressaltar que o fim aqui não tem conotação de extinção, mas sim de alcançar um objetivo.

No entanto isso só resolve parte das nossas perguntas, porque se somos criações de Deus em diversos estágios evolutivos, e sabendo que Ele é toda bondade não privilegiando ninguém, então quando tudo isso começou? E além: fomos criados todos juntos?

Correlação
Para responder isso é necessário compreender como vemos o mundo. Nós vivemos numa realidade em que tudo é dividido de acordo com marcações de tempo e espaço. Para determinar que horas são usamos o dia e noite, e dividimos esses dois fenômenos em frações de tempo (no caso falamos em horas) e com isso falamos se é muito cedo ou tarde de acordo com essa convenção.

Porém essa concepção é baseada num deslocamento. O movimento de rotação que a Terra faz em torno do seu próprio eixo é que deixa um lado do planeta iluminado pelo Sol (dia) e o outro não (noite), portanto para determinar o tempo é necessário que haja uma relação com o espaço, o lugar.

Simplificando: se a Terra ficasse parada não haveria a alternância entre dia e noite, e com isso não conseguiríamos formular um padrão para marcação de tempo. Outro exemplo é que todos os eventos de nossa realidade estão baseados em lugar e horário, não importa o que seja, sem esses dois componentes não há como identificar ação. Nós só existimos porque estamos vivendo em determinado período de tempo e em algum lugar.

Portanto, apercebemos algo somente quando ocorrem esses dois eventos simultâneos, fornecendo os padrões para identificarmos uma realidade. Então, se não existisse a correlação espaço-tempo não seríamos capazes de formular um mundo.

Aqui pedimos desculpa àqueles mais entendidos do assunto espaço-tempo pelo exemplo singelo, pois a intenção não é discutir conceitos, mas sim mostrar de uma maneira simplificada como estruturamos alguns aspectos de nossa realidade.

E embora haja a teoria da relatividade e a física quântica que nos trazem outros modos de pensar a relação com a realidade, neste texto ficamos por aqui com esses conceitos também pelo mesmo motivo citado anteriormente.

Voltando ao exemplo da Terra, dessa forma percebemos que dividimos os acontecimentos sempre de acordo com o tempo e espaço, na nossa vida, por exemplo, contamos os anos, falamos sobre locais, usando essas referências para contar nosso mundo.

Assim também fazemos com a maneira com que vemos Deus. Se Ele é eterno, não tem começo, meio nem fim, podemos falar que a realidade em que age a consciência Dele é um pouco diferente do que estamos acostumados a perceber, segundo o tempo-espaço, pois Ele ‘quebra’ com essa continuidade.

Imagine o que deve ser o pensamento de Deus. Se Ele não tem início, nem meio, nem fim, ele sempre está agindo. Dessa forma, se tomarmos por conta que somos seres criados a partir da ação (pensamento de Deus), podemos concluir que ele sempre está criando, e assim, os espíritos foram criados em tempos diferentes, de acordo com a nossa descontinuidade espaço-temporal em relação com Deus que vive numa margem diríamos infinita para nossos padrões de compreensão.

A formiga
Para exemplificar esse conceito pensemos em um lápis, porém há uma formiga caminhando por ele. Se girarmos o lápis a formiga vai continuar andando, e para o referencial dela aquele campo vai ser um universo praticamente infinito, embora encontre particularidades, e até pense que aquele mundo seja finito devido a padrões repetidos. Isso acontece porque ela não entende as reais dimensões daquilo, visto que seu referencial está preso aquele mundo.

Porém como estamos segurando o lápis temos a consciência daquele universo e do que o circunda, portanto estamos trabalhando com padrões desconhecidos por ela, portanto olhamos para aquele lápis como se fôssemos Deus.

Agora colocamos outra formiga neste lápis, nós sabemos de onde veio e para onde foi, mas para aquela primeira formiga que já estava no lápis aquilo foi criado a partir do nada, pois não estava na razão que ele conhecia dentro daquele universo.

Esse exemplo é vulgar, mas serve para tentarmos ter ideia de que a nossa concepção de Deus está ligada a forma com que vemos o mundo, inclusive com nossas limitações de pensamento, pois ainda falta muito para compreender a natureza em seus sentidos amplos.

Para ratificar o assunto, aqui está a resposta da pergunta 78 do Livro dos Espíritos (1857) com a explicação de como Deus criou os espíritos:

78. Os Espíritos tiveram princípio, ou existem, como Deus, de toda a eternidade?
“Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando, ao invés, são criação Sua e se acham submetidos à Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável. Quanto, porém, ao modo porque nos criou e em que momento o fez, nada sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se quiseres com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado ininterruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito-te, nenhum o sabe: aí é que está o mistério.”

01 dezembro 2013

Cristãos



A denominação “cristão” para aqueles que seguem o exemplo de Jesus Cristo parece muito simples de entender hoje, porém esse termo não nasceu no mesmo momento em que o Cordeiro estava encarnado na Terra, mas surgiu algum tempo depois de seu desencarne.

No livro “Paulo e Estevão” escrito por Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier é contada como surgiu a denominação “cristão”. A obra toda é um grande celeiro de estudos sobre os primeiros seguidores do Cristo bem como a simplicidade como é vivido o exemplo do mestre, além de contar a história de uma das almas mais iluminadas que nosso planeta abrigou.

Porém não é o objetivo deste texto tratar sobre o conteúdo total, mas sim parte dele, para conhecer a resenha do livro publicada neste blog é só clicar aqui “Paulo e Estevão”, mas agora vamos nos ater ao capítulo IV (Primeiros Labores Apostólicos) da Segunda Parte do livro.

Saulo (ainda não havia mudado seu nome para Paulo) já havia se convertido aos ensinamentos do Cristo e se encontrava na cidade de Tauro exercendo suas atividades de tecelão. Em certo dia ele recebeu a visita de Barnabé, um discípulo da casa de Jerusalém, que buscava auxílio para alguns problemas enfrentados no núcleo fundado na cidade de Antióquia, convidando o convertido de Damasco a viajar até lá.

Identidade
Aqui vale lembrar que as atividades em Antióquia começaram com os discípulos vindos de Jerusalém sob a sugestão de Simão Pedro. O núcleo atraía muitos viajantes devido aos trabalhos de caridade e pelos fenômenos que aconteciam ali, um desses foi o jovem médico chamado Lucas.

Lucas se afeiçoou muito a Saulo, e teve com o futuro “apóstolo dos gentios” momentos de muita conversação e aprendizado naquele primeiro encontro em Antióquia. Porém houve tamanha identificação ente os dois que empreenderam diversas viagens posteriormente na divulgação da obra de Jesus.

No entanto, ainda naquela estada em Antióquia, após terminada uma das reuniões para o estudo dos ensinos de Jesus, Lucas pediu a palavra para se despedir dos companheiros, pois sairia em viagem, e propôs uma nova designação:

“Irmãos, afastando-me de vós, levo o propósito de trabalhar pelo Mestre, empregando nisso todo o cabedal de minhas fracas forças. Não tenho dúvida alguma quanto à extensão deste movimento espiritual. Para mim, ele transformará o mundo inteiro. Entretanto, pondero a necessidade de imprimirmos a melhor expressão de unidade às suas manifestações. Quero referir-me aos títulos que nos identificam a comunidade.
Não vejo na palavra ‘caminho’ uma designação perfeita, que traduza o nosso esforço, Os discípulos do Cristo são chamados ‘viajores’, ‘peregrinos’, ‘caminheiros’. Mas há viandantes e estiadas de todos os matizes, O mal tem, igualmente, os seus caminhos, Não seria mais justo chamarmo-nos — cristãos — uns aos outros?
Este título nos recordará a presença do Mestre, nos dará energia em seu nome e caracterizará, de modo perfeito, as nossas atividades em concordância com os seus ensino”.

A sugestão de Lucas foi aprovada por todos com muita alegria, segundo conta Emmanuel no livro. Todas as informações deste texto foram tiradas da obra citada.

26 novembro 2013

Que tipo de aluno sou?



No Espiritismo estamos sempre falando de provas e expiações, porém em algumas situações não sabemos se nos encontramos na primeira ou segunda condição. Essa dificuldade acontece porque não compreendemos o que significa uma e outra.

Emmanuel em “O Consolador” nos ilustra a diferença na resposta à pergunta 246: “A provação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual. A expiação é a pena imposta ao malfeitor que comete um crime”.

Procurando analisar essa resposta podemos notar que em provação é usada a palavra ‘discípulo’, enquanto que na segunda Emmanuel fala em ‘malfeitor’. Daqui vemos que parte da concepção que difere as duas situações diz respeito ao nível de consciência, pois um discípulo não é alguém perfeito, mas sim um iniciado em algum conhecimento, enquanto que um malfeitor desconhece ou descumpre regras e leis.

Filtro
Tendo isso em mente podemos observar outro ponto, mas agora quanto ao caminho percorrido. Na resposta de Emmanuel, o discípulo encara isso como uma ‘luta’, enquanto que para o malfeitor é uma ‘pena’. Aqui o interessante é que encontramos um ponto em comum entre as duas situações, ambos enfrentam dificuldades, sejam elas de forma voluntária (por um ideal) ou imposta.

Com essa visão diante do caminho escolhido é possível notar que não apenas o nível de consciência se faz presente em relação ao aprendizado (conhecer ou desconhecer/descumprir regras), mas sim é perceptível como opera o aprofundamento deste conceito, pois a maneira como é vista a direção seguida mostra como é utilizado o conhecimento adquirido ou ignorado.

É como se o conhecimento, seja pequeno ou grande, funcionasse como um filtro em que o mundo passasse por ele, chegando a nós aquilo que o filtro permitiu, ou seja, se vamos ter mais ou menos grãos em nossa água será de acordo com a nossa capacidade de filtrar.

Dessa forma, podemos falar em prova ou expiação de acordo com a nossa bagagem de conhecimento internalizado em nosso ser, ou seja, daquilo que aprendemos e conseguimos colocar em prática, pois, por exemplo, não adianta nada conhecer todos os reflexos bioenergéticos do perdão senão soubemos perdoar quem pisou no nosso pé na fila do supermercado.


Aulas diárias
Uma sala de aula tinha 30 alunos jovens entre idades de 16 e 17 anos, porém dois deles se destacavam: o primeiro mantinha uma disciplina de estudo enquanto o outro não era afeito a esse tipo de atividade e nem se importava com isso.

Pois bem, é dia de prova de Matemática, a classe tem três horas para terminar o teste de 20 questões. O primeiro encontra dificuldades, pois essa atividade não deixa de causar um desconforto por se tratar de um método de avaliação de conhecimento, mas vê naquelas questões uma maneira de encontrar os seus pontos de maior dificuldade e com isso aumentar a eficiência do seu aprendizado.

Porém o segundo não está preparado para dar a resposta adequada a certos problemas, então vê aquilo como um grande castigo por não ver motivo aparente do porquê precisa passar por aquilo, tendo em vista que até o momento não era necessário se preocupar com nenhum assunto envolvido ali.

Muitas vezes apresentamos esses comportamentos diante de situações da nossa vida, em alguns pontos parecemos o primeiro estudante, aprendemos várias coisas durante a nossa trajetória e a resignação nos mostra que tudo tem um fim útil, sendo a dificuldade como uma prova de modo a atestar se realmente aprendemos algo.

Porém quando pensamos em nossa historia como punição estamos afirmando a nossa ignorância diante dos conhecimentos que ainda não assimilamos, mostrados pelo nosso despreparo diante da situação.








18 maio 2011

Devagar, porque temos pressa!

Essa semana vi essa frase que intitula o post na aula semanal que frequento no grupo que participo aqui na cidade.

Devagar, porque temos pressa!

De um modo geral, essa frase se encaixa perfeitamente em muitas ocasiões, mas no caso do Espiritismo é ainda mais forte, principalmente pra quem esté começando agora a trilhar os caminhos da doutrina consoladora.

Não pode haver pressa nos estudos da doutrina, pois os ensinamentos ali contidos devem ser absorvidos corretamente para o perfeito entendimento dos estudos. Com o perfeito entendimento dos estudos, sem pressa e com muita dedicação, somos beneficiados não só com a clareza das coisas que só o Espiritismo é capaz de nós explicar como também de nossa vida, de nossa existência e de nossos objetivos por aqui, pois é isso que o Espiritismo nos propõe.

Ao realizar os estudos de uma forma mais rápida, muitas vezes ansiando o aprofundamento dos mesmos e o conhecimentos de coisas novas e mais complexas, acabamos por não absorver corretamente tudo aquilo que ali é exposto e deixando uma lacuna que depois nos exigirá o retorno até aquele ponto para esclarecer o que não entendemos anteriormente. O não entendimento correto de um determinado estudo acaba por prejudicar o que vem a seguir, pois tudo é interligado e é extremamente necessário o entendimento de uma coisa para poder passar para outra.

Vale ainda lembrar que quando é dito devagar, não quer dizer que devemos ir quase parando, ou seja, ficando fixo em um ponto por muito tempo e não evoluindo com o mesmo, os estudos devem prosseguir para a frente sempre. A palavra devagar nesse caso tem o significado de cautela, de atenção e principalmente paciência nos estudos a serem realizados, mas tendo ao mesmo tempo o cuidado para nao "estacionar".

E por último, e não menos importante, o estudo da Doutrina Espirita deve ser algo prazeroso e não cansativo, pois quando fazemos algo por fazer e sem vontade, os resultados serão sempre negativos e improdutivos.

Encerro com uma frase de Geir Campos que se encaixa perfeitamente aqui:

"Não faça que a pressa de colher estrague o seu momento de plantar"

12 março 2011

"John of God"

O interesse do público americano por temas relacionados à espiritualidade em geral e à mediunidade mais especificamente não pára de crescer. Ao longo das últimas décadas apareceram trabalhos de cientistas e artistas chamando a atenção para o assunto, como Ian Stevenson, por exemplo. O que vemos hoje em séries de TV como Médium ou Fringe faz parte do imaginário desse público que apenas conhece superficialmente essas questões e tem contato com uma prática mediúnica muito diferente da nossa.

Não existe trabalho filantrópico de médiuns por lá. Em geral, as "consultas" são todas pagas. Brasileiros que fundaram instituições espíritas nos EUA relatam o estranhamento - e a desconfiança - do público americano ao saber que os trabalhos espíritas são todos gratuitos. São pouco conhecidas as obras de Allan Kardec e o predomínio de religiões ortodoxas dificultam o debate de temas como reencarnação e intercambio espiritual.

Neste fim de ano foi veiculado no programa "Oprah", um dos campeões de audiencia da televisão americana, uma reportagem sobre o médium de cura João de Deus. Seguem os vídeos abaixo pra quem tiver interesse.














22 dezembro 2010

Adoção


A forma de como as coisas são programadas para acontecer em nossas vidas as vezes impressiona, mesmo com uma bagagem de estudo relacionado a doutrina e seus fundamentos. Apesar de gozar do livre arbítrio, há coisas na vida que simplesmente devem acontecer, pois foram devidamente programadas no outro plano, quando lá estávamos, para que pudessemos, já aqui na Terra, dar continuidade em nosso aprendizado e a conclusão desse programa já é uma vitória imensa, é um sinal de que continuamos nos mantendo firme e fortes em nosso propórito nessa encarnação.

Pra resumir bem, estou a dez anos junto com "minha companheira de batalha", uma pessoa que veio de longe pra me conhecer e ficar comigo, pra ser minha outra metade nos caminhos da vida. Depois de um bom tempo juntos, começamos a pensar em filhos, a constituir uma familia e tudo mais, ou seja, uma coisa natural na vida de um casal. Acontece que ela não engravidava de forma alguma, fazia exames e mais exames e nada, o tão querido filho nunca vinha. Um belo dia, em uma consulta ao ginecologista, eu estava junto, o médico me perguntou se eu já tinha feito meus exames, pois com ela estava tudo ok e não tinha mais o que investigar. Eu respondi que não havia feito exames (a gente nunca acha que o problema é com a gente), e o doutor me intimou a fazer meus exames, começando pelo espermograma.

Lembro bem que no dia que fui buscar meu resultado, já em casa, abri o bendito exame e o resultado dizia AZOOSPERMIA, o que em básica pesquisas (no Google mesmo, logo de cara) foi possivel saber que em meu sêmen não havia um espermatozóide pra contar história, ou seja, era o sinônimo de estéril, o que foi posteriormente confirmado pelo médico.
Vale lembrar que a azoospermia é um diagnóstico que não te coloca na condição de estéril logo de cara, seria necessário outros exames pra saber o motivo de não ter espermatozóides em meu sêmen e que caberia até procedimento cirúrgico pra tentar reverter a situação, pois cada caso é um caso, por isso, cuidado com o termo azoospermia, consulte o médico antes de sair pensando asneira.

Naquele dia fiquei chateado, pois a idéia de quer você não pode gerar um filho próprio não deixa de ser frustrante e, pior ainda, a idéia de que você não pode ter um filho é mais assustadora ainda, pois é natural do ser humano deixar seus conhecimentos pra alguém e saber que um dia vai partir e sua história terminará ali é complicado.

Eu e minha esposa já haviamos conversado algumas vezes sobre adoção e essa idéia sempre esteve em pauta, mas sempre depois de ter o nosso biológico, como que se a prioridade fosse ter um filho de sangue e depois sim adotar um, cometendo assim o primeiro erro de quem começa a pensar em adoção, o erro de pensar que o filho de sangue é mais importante do que o filho do coração. É um erro que tive que engolir a seco quando meu filho, adotivo, chegou. Digo erro para ressaltar o termo em si, mas na realidade é um sentimento até involuntário imposto ao decorrer da vivência em uma sociedade que ainda tem preconceito em ralação a adoçao.

Minha esposa já havia decidido pela adoção mesmo antes de meu exame, por ela tinha dado entrada na papelada bem antes, mas eu sempre ali aguardando algo que hoje sei que não iria acontecer, aguardando ela resolver o "problema" nela e finalmente ela engravidar. No fim, chegamos em comum acordo (também, depois do tapa na cara que o exame me deu, não podia ser diferente) e fomos ao forum dar entrada na adoção.

Foram um ano e meio de espera e ligações (sempre por parte de minha esposa) semanais para o forum para saber como andava a fila, e finalmente no dia 14 de Setembro de 2009 o telefone tocou, eu atendi, e era a assistente social perguntando se a gente gostaria de conhecer um menino de um ano e um mês que estava no abrigo aguardando adoção. E foi nesse mesmo dia que fomos lá, em meio a nervosismo e felicidade, e vimos pela primeira vez o nosso filho.

No dia seguinte sairiamos do forum com um menino nos braços e uma sacolinha de roupas dele na mão, eramos pais, finalmente.

Contar a história completa aqui seria longo demais, o que não é compatível com o propósito do blog, mas posso dizer tranquilamente hoje que tenho uma familia completa e feliz, tenho um filho alegre e muito carismático, que nos proporciona doses de felicidades brutais e que me faz sentir, sem um pingo de diferença de ser biológico ou não, um pai, assim como minha esposa, uma mãe.

Voltando lá em cima no começo do post, impressiona como as coisas são programadas em nossas vidas, pois hoje somos uma familia constituida de mim, de minha esposa que veio de uma cidade distante da minha, me conheceu e por fim viramos pai de uma criança que a principio não possuia vinculo nenhum conosco. Mas o mais importante é que isso tudo é em referencia ao material, pois espiritualmente tenho certeza de que nossas vidas deveriam se cruzar por aqui nessa encarnação e assim o foi.

Um fato curioso é que um casal foi visitar nosso filho no abrigo um dia antes de nós, estavam na frente na fila do forum, mas por algum motivo que só a espiritualidade saberia responder, resolveram não ficar com ele, dando oportunidade pra nós. A assistente no dia disse que era pra ser a gente mesmo, que estava escrito, eu respondi pra ela que sim, que estava escrito e programado.

O próximo passo é um irmãozinho ou uma irmãzinha para o Matheus Eduardo, vamos deixar a espiritualidade trabalhar novamente, eles sempre sabem o que fazem.

Pra quem pensa em adoção, posso dizer tranquilamente que o processo não é difícil e a demora depende de cada forum ou estado dos pretendentes, procure saber no forum de sua cidade os procedimentos, converse com a assistência social para maiores esclarecimentos e sempre faça tudo dentro da lei, pois compensa, e muito, adotar uma criança, pois você estará dando a oportunidade de uma vida digna e cheia de amor para uma alma geralmente vinda do sofrimento, mas que no fim o encontrará.

Importante também é sempre ser honesto com seu filho em relação a adoção, nunca esconder que ele é adotado, começe a conversar com ele sobre o assunto assim que perceber que ele já está em condições de entender a condição dele, pois esconder é pior, no futuro inevitavelmente ele vai acabar sabendo e isso poderá gerar um sentimento de traição, pois nada é mais importante na relação pais e filhos como a confiança mútua e, claro, o amor.

O resto a vida se encarrega de nos ensinar.