"O exercício do amor verdadeiro não pode cansar o coração"
Emmanuel


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28 dezembro 2010

Tristeza do mundo

Impressionante a nossa capacidade de nos enternecermos com uma criança, com um fiel animal de estimação ou com o simples fato de vivermos mais um dia de oportunidades. Mas também, em meio a noticias tristes de situações de sofrimentos, abusos e violencia, nos chocamos com a proximidade que ainda temos com as feras. E com o agravante de o fazermos pela maldade, e não necessariamente pelo instinto.

Não há como não reconhecermos nossa culpa na atual situação planetária em que vivemos. Coletiva e individualmente. Nessa época em que fazemos votos de tantos compromissos para o próximo ano, saibamos trabalhar a nossa propria renovação. E que sirva de inspiração as belas palavras de Chico Xavier, e que ao nos transformarmos, possamos transformar o mundo com a alegria de servir.


Alegria


"Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.


Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.


A água da fonte é carinho liqüefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.


Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.


Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.


Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.


A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz."


Autor Espiritual: Meimei
Psicografia de Chico Xavier

21 novembro 2010

Mãos marcadas

Senhor!

Quando me deres
O privilégio do renascimento
No berçário do mundo,
Ante as necessidades que apresento
E aquelas que não vejo,


Eis, Senhor, o desejo
Em que dia por dia me aprofundo:


Deixa-me renascer em qualquer parte,
Entretanto, que eu possa acompanhar-te
Onde constantemente continuas
Trabalhando e servindo em todas as estradas
Para que eu também tenha as mãos mareadas
Como trazes as tuas ...


Quanta ilusão quando me debatia
Crendo que o desespero fosse prece,
A rogar-te alegria e segurança
Sem que eu nada fizesse!


Imitava na Terra o lavrador
A temer pedra e lama, vento e bruma,
Aguardando milagres de colheita
Sem plantar coisa alguma.


Entretanto, Senhor, agora sei
Que o trabalho é divino compromisso,
Estímulo do Céu guiando-nos os passos
E que, atendendo à semelhante lei
Puseste ambas as mãos em nossos braços
Por estrelas de amor e de serviço.


Assim, quando efetues
As esperanças em que me agasalho
E estiver entre os homens, meus irmãos,
Que eu me esqueça em trabalho
E me lembre das mãos ...


Não me dês tempo de lastimar-me
Que eu busque tão somente a luz que me acenas
No anseio de seguir-te
Quero o trabalho apenas.


Dá que eu seja contigo, onde estiveres,
Uma réstia de paz ... Que eu seja alguém
Sem destaque e sem nome
Que se olvide no bem.


E se um dia uma cruz de provas e de agravos
Reclamar-me a tarefa e o coração,
Não me largues ao susto aque me enleie,
Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos
Da incompreensão que me rodeie,
Entre bênçãos de fé e preces de perdão!


Não consintas que eu volte ao tempo morto
Da ilusão convertida em desconforto,
Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,
A sorrir e servir sem perguntar a quem ...


Ouve, Celeste Amigo,
Aspiro a estar contigo,
Longe de minhas horas desregradas,
Onde sempre estiveste e sempre continuas
Plantando o amor em todas as estradas,
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas ...

Pelo Espírito Maria Dolores, psicografado por Chico Xavier, in "Mãos Marcadas"

13 novembro 2010

O Ateu


























"Sujeito que clama e berra
Contra a vida a que se agarra,
Vive em perene algazarra
Colado aos brejais da terra.

Do raciocínio faz garra
Com que à verdade faz guerra,
Na desdita em que se aferra,
À ilusão em que se amarra.
De mente sempre na birra
Ouve a ambição que lhe acirra
A paixão que o liga à burra.
Mas a luz divina jorra
E a vida ganha a desforra
Na morte que o pega e surra."

Pelo Espírito Alfredo Nora, in "Brilhe vossa luz", de Francisco Candido Xavier e Carlos Baccelli

09 dezembro 2009

Diante do madeiro



Ante a cruz infamante me prosterno
E contemplo-te, oh! Cristo, os membros lassos,
O duro lenho que te prende os braços,
Abre-te em sangue o coração fraterno.

Fitas o olhar de luz, dorido e terno,
Na cerúlea beleza dos Espaços,
Enquanto os homens, lúbricos e crassos,
Trazem ao monte o cavernoso inferno.

Rei prostrado ante horrenda lança em riste,
Pende-te a fronte dolorosa e triste,
Sob a traição cruel dos teus mordomos...

E choro e grito amargamente, a esmo,
Carregando, enojado de mim mesmo,
A vergonha dos Judas que ainda somos.

AUGUSTO DOS ANJOS

(Psicografado por Francisco Cândido Xavier, in "Nosso Livro", LAKE editora)